segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Objectivos e desafios para o novo ano

Uma vez que a maior parte dos desafios e projectos a que me propus em 2017 não foram concluídos este ano decidi ser muito mais modesta também para me deixar ir ao sabor dos meus desejos e sem cair em frustrações de metas não alcançadas.

Assim para 2018 os meus objectivos literários são controlados e passam essencialmente por:
- ler muito mais
- comprar muito menos livros, mais especificamente, apenas 6 livros durante todo o ano
(não vão contar aqueles que vou pedir de presente ao longo do ano e que espero me possam oferecer)
- estar mais presente e produtiva aqui no blog assim como nas outras redes sociais
- conhecer e comentar mais outros blogs e canais de livros
- continuar a assistir a conversas/debates/palestras para um contacto mais directo com a realidade e produção literária assim como escritores

Em relação aos projectos e desafios vou manter também o nível por baixo porque o ano passado, como já disse tive mais olhos que barriga e as coisas não correram bem e vou optar por desafios mais generalistas e temáticos.
World Book Tour - Vou continuar a passear e conhecer o mundo e os seus autores mas ao meu ritmo porque 1 livro e um país por mês era demasiado para mim e não conseguia dar conta e acompanhar mas podem seguir o projecto na página do Facebook
Livros com x anos - A ideia e projecto é da Elisa do blog e canal A Miúda Geek e consiste em ler os livros e/ou autores de alguns dos principais prémios literários do ano em que nascemos, o Prémio Nobel, o Man Brooker Prize, o Prémio Pullitzer de Ficção e o Prémio Camões ou um Autor português do ano de nascimento no caso de quem tenha nascido antes de 1988, ano de instituição do prémio
Ler os Nossos/Autores Portugueses - dois projectos que se complementam pois visam ambos fomentar a leitura dos nossos escritores, o primeiro já é um habitué do blog e canal A Mulher Que Ama Livros e decorre em Novembro, o segundo é mensal com um autor diferente a cada mês e tem grupo no Goodreads

A título pessoal para além dos 8 livros para 2018 vou ter a companhia deste livro ao longo de todo o ano com o objectivo de o conseguir ler durante este período, é um livro já com bastante tempo na estante e como daqueles para se ir lendo achei que esta seria ser uma boa forma de me estimular a fazê-lo. Para além disso a minha curiosidade leva-me a querer saber sempre mais de tudo, conhecer mais e aumentar a minha cultura.

Um livro para aqueles que querem ter uma relação viva com a cultura que vai enriquecer as nossas vidas e também ajudar a conhecermo-nos melhor.
Como é que surgiram a sociedade moderna, o Estado, a ciência, a democracia ou a administração?
Que disse Heidegger que não soubéssemos já?
Porque é que Dom Quixote, Hamlet, Fausto, Falstaff ou o Dr. Jekyl e Mr. Hyde são figuras tão conhecidas?
Este livro aborda também episódios remotos e centrais do Antigo e Novo Testamento, a emergência dos Estados e a epopeia da modernização, as revoluções e a democracia; a evolução da Literatura, a Arte e a Música através das suas grandes obras; o desenvolvimento da Ciência e da Filosofia, o campo de batalha das ideologias, cosmogonias e teorias, mas também a educação que dão os livros, os colégios ou as universidades, os jornais e os foros de opinião.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

8 Livros, 8 Géneros para 2018

Para fugir às habituais TBR's de 10 ou 12 livros para o ano decidi  fazer algo de diferente e escolhi apenas 8 livros de 8 géneros diferentes para combinar com a terminação do novo ano. A ideia foi diversificar um pouco o tipo de leituras e aproveitar para baixar a pilha dos livros para ler pois a maior parte deles já estão há algum tempo parados na estante. 


- Biografia 
Nelson Mandela da colecção do Jornal Expresso A Minha Vida Deu Um Livro
porque fiquei com curiosidade em conhecer esta figura histórica da luta contra o apartheide na África do Sul após a leitura de um romance da nobel sul africana Nadine Gordimer
- Contos 
Contos de S. Petersburgo de Nikolai Gogol 
pela vontade de conhecer o maior escritor russo da primeira metade do século XIX, precursor de quase toda a literatura russa
- Desenvolvimento Pessoal 
O Caminho Menos Percorido de M. Scott Peck
porque é um clássico do desenvolvimento pessoal bem realista e com uma nova análise psicológica da vida escrito por um psiquiatra de renome
- Poesia 
Nobilissíma Visão de Mário Cesariny
porque quero conhecer e descobrir mais deste poeta surreal português
Policial/Thriller 
A Rapariga no Comboio
pela vontade de comparar o livro ao filme que já vi e não me deixou assim tão rendida e formar uma opinião sobre este bestseller com o êxito de vendas mais rápido de sempre
- Romance Historico 
D. Maria II de Isabel Stilwell
porque admiro a personalidade desta rainha apelidada de educadora e boa mãe assim como a autora da obra e ando há muito para conhecer melhor a vida de uma e a escrita da outra
- Livro sobre Livros 
A Vida Secreta dos Livros
pela curiosidade de conhecer sobre os livros mesmo enquanto objectos e ficar a saber mais sobre o que está por detrás deles e da sua evolução
- Livro em Inglês 
The Melancholy Death of Oyster Boy and Other Stories de Tim Burton
porque gosto dos filmes únicos e diferentes de Tim Burton e fiquei com curiosidade em conhecer a sua escrita





sábado, 30 de dezembro de 2017

E os melhores do ano foram...

Antes de revelar os melhores, aqueles que me preencheram o coração e deixaram a sua marca gostava de fazer um pequeno balanço deste ano.

Li apenas 18 livros, num total de 3.581 páginas e não consegui completar o desafio  do Goodreads em que me tinha proposto a ler 20, foi por um triz mas não cheguei lá. O livro mais pequeno foi Contos de Comédia Social e o maior O Vermelho e o Negro de Stendhal, o mais popular foi Mil Sóis Resplandecentes de Khaled Hosseini e o menos A Boneca de Luxo de Truman Capote, mas por ter lido numa edição diferente que não constava na base do Goodreads.

Não foram tantos como eu gostava mas houve muito boas surpresas e descobertas e claro algumas desilusões. Nem todos foram referidos ou têm opinião aqui no blog no entanto ainda faço tenção de falar de alguns deles por aqui durante o próximo ano. Das desilusões não falarei porque apesar de terem elido alguns livros que não gostei por aí além não houve nenhum completamente "intragável" por isso vamos aos favoritos.


O MELHOR DE 2017


Um livro arrebatador pelo conhecimento de uma realidade chocante,  ao nível do tratamento das mulheres, pela história de superação das duas protagonistas, pela amizade que quase vêem forçadas a construir para sobreviver, pelo amor de dois jovens que subsiste e sobrevive à guerra, à ausência e à incerteza do reencontro. E tudo isto contado com tanta emoção e ao mesmo tempo dinamismo que prende, arrebata e emociona.
Foi a descoberta de um autor e de um dos livros que ficará para sempre como um dos melhores.


OS FAVORITOS

Boneca de Luxo de Truman Capote
O Vermelho e o Negro de Stendhal
ambos devido à densidade e riqueza dos seus protagonistas:
Holly Golighly, uma acompanhante de luxo que é muito mais do que a rapariga fútil e deslumbrada com a vida de glamour que a sua condição lhe proporciona, cheia de camadas desconhecidas que se vão revelando e encantando pela sua autenticidade e determinação;
Julien Sorel, um aldeão do século XIX que faz tudo ou quase tudo para ascender socialmente e fugir à inevitável pobreza da sua classe. Um jovem complexo e contraditório que tanto quer pertencer à nobreza como quando no seio dela a menospreza que tanto ama e deseja como desdenha, capaz do melhor e do pior e de quem nunca se fica a saber ou a compreender o que realmente sente.

Dom Casmurro de Machado de Assis
pela originalidade da escrita em que o autor está em constante diálogo com o leitor ora sobre o próprio livro ora sobre a história que nos está a contar, também pelos ingredientes da própria história carregada de amor, ciúme, dúvida e mistério com um final deixado permitindo a cada um tirar as suas conclusões.







sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Novidades de 2017 desejadas e recomendadas para o Natal


Em 2017 houve muitas novidades que me seduziram e entraram para a minha já extensa wishlist, algumas delas fui partilhando por aqui, agora deixo-vos mais umas quantas como sugestões de livros para oferecer no Natal. Para muitas delas também contribuíram muitas opiniões que fui ouvindo e vendo pela blogosfera e pelo booktube.



Para viciados/apaixonados por livros 
Quem tem o vício dos livros e da literatura gosta sempre de saber um pouco mais sobre os escritores seja a sua vida ou apenas algumas curiosidades e particularidades. Em Os Vícios dos Escritores ficamos a conhecer as loucuras e manias de alguns dos grandes génios da literatura desde Camões, Eça de Queiroz ou Camilo Castelo Branco a Kafka, Dickens ou Dostoiévski acompanhados de uma pequena biografia dos mesmos.



Para saudosistas
Sou dos Anos 80 - Não tenho Medo de Nada é a uma viagem inesquecível para quem tem curiosidade em conhecer de que era feita a vida do dia-a-dia dos anos 80 nos seus seus aspectos mais banais como o que se via, ouvia, comia ou vestia. Mas é sobretudo um livro para quem viveu estes anos, para a geração que sobreviveu a ver os desenhos animados russos e checos de Vasco Granja, a comer toneladas de Tulicreme e andar de sandálias de plástico, para quem tem uma certa nostalgia que se divide entre o sonho (Ah, quero de volta essa infância!) e o pesadelo (Oh, eu não acredito que gostei destes horrores e fiz estas figuras!).

Para crianças
Este livro, A Menina dos Livros foi premiado com o Bologna Ragazzi Award na categoria de Ficção e celebra o amor pela literatura clássica infantil com um toque moderno. Com ilustrações maravilhosas, conta a aventura de uma menina que atravessa um mar de palavras para chegar a casa de um menino e o convida a acompanhá-la numa aventura pelo mundo das histórias repleta da magia em que as palavras que se juntam para nos mostrar como com alguma imaginação se fazem e se constroem sonhos. 


Para jovens/adolescentes (e não só)
A adaptação para banda desenhada do incontornável O Diário de Anne Frank, lançada em celebração do 70.º aniversário da sua publicação. Um livro imprescindível enquanto testemunho do terror da 2ª Guerra Mundial contado através do diário de uma adolescente escondida dos nazis num sótão em Amesterdão. 
Apesar do livro poder destinar-se a leitores de todas as idades, recomendo em especial para os jovens/adolescentes por ser uma forma leve de tomarem conhecimento de um acontecimento tão importante da nossa história.



Para os amantes de romances e boas histórias
As Oito Montanhas 
conta a história da amizade entre Pietro, um rapazinho da cidade, solitário e pouco sociável e Bruno, o rapaz que vive nas montanhas. Os pais de Pietro nutrem pelas montanhas a mesma paixão e quando descobrem a aldeia de Grana ela passa a ser o seu local de férias e é aí que o filho vai descobrir toda uma nova dimensão da vida e da relação com o pai. Um romance  que parte da autobiografia do autor para se lançar na meditação sobre o regresso aos lugares da infância, às montanhas, à pobreza e à liberdade.
Os Detetives Selvagens
traz o relato das viagens e aventuras de Arturo Belano e Ulisses Lima entre 1976 e 1996 em busca das pegadas deixadas por Cesárea Tinajero, a misteriosa escritora desaparecida no México nos anos 20.
Esses detetives selvagens, poetas «desesperados» e traficantes ocasionais vão percorrer grande parte do Mundo nessa demanda passando pela Cidade do México a diversos lugares na Europa, em Israel e até na Libéria durante a guerra civil nos anos 90. Um romance em que se pode encontrar de tudo: amores e mortes, assassínios e passeios turísticos, manicómios e universidades, desaparecimentos e aparições. É uma reimpressão recente de um livro que estava há muito esgotado.


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Dia da Livraria e do Livreiro - Livraria Leituria


A propósito do Dia da Livraria e do Livreiro poderia destacar muitas bonitas e importantes livrarias que temos por cá e são conhecidas e reconhecidas até além-fronteiras. Temos a Livraria Mais Antiga de Portugal, a Bertrand do Chiado, a  provavelmente mais pequena do Mundo, A Livraria do Simão, uma das mais originais, a Ler Devagar e uma das mais bonitas, a Livraria Lello no Porto.

Mas quero dar a conhecer uma outra, a Leituria, uma livraria/espaço cultural que visitei precisamente no Dia da Livraria e do Livreiro, dia 30 de Novembro para espreitar e aproveitar a campanha de todos os livros usados a 5€. Fica em Lisboa na zona do Saldanha mais precisamente na Rua D. Estefânia.


Enquanto livraria, para além de disponibilizar as novidades do mercado tem também uma secção de livros usados com obras a partir de 1 euro em que volta e meia têm campanhas muito convidativas como a que aproveitei quando lá fui.. Outra das prioridades é a literatura infantil tendo sido criado para tal um cantinho especial dedicado aos mais novos onde se realizam inúmeras actividades para eles. Para além dos livros podemos comprar ainda artigos de papelaria bem bonitos.

Mas muito mais do que uma livraria, a Leituria é um espaço cultural, montra de diversas artes e manualidades em que se apresentam trabalhos de numerosos criadores nacionais da área da pintura até à cerâmica e artesanato passando pela fotografia.  E tudo isto pode ser visto acompanhado por um copo de vinho escolhido a partir da carta de vinhos da própria livraria.








Existe também uma intensa e diversificada programação que vai desde os workshops dos mais variados temas aos recitais, eventos para crianças e as inevitáveis apresentações e lançamentos de livros. E para os viciados dos livros a Leituria tem ainda um activo Clube de Leitura mensal e o Jantar de Devoradores de Livros, uma género de tertúlia com um tema específico e um convidado especial a que se segue um jantar convívio. 

Este espaço é o sítio ideal para se encontrar aquele livro que não se está à procura e comprar artigos de papelaria bem amorosos, muitos alusivo à cidade de Lisboa.

O resultado da minha visita 



sábado, 2 de dezembro de 2017

Os Filhos da Mãe - BANDA SONORA


Uma das coisas que gosto nos livros é do tanto que eles me dão a conhecer de outras artes e da própria literatura com referências a outros autores, músicas e artistas. E a minha curiosidade faz-me  sempre ir atrás dessas referências e ficar a saber um pouco mais sobre elas.

No seio da paixão entre o narrador da história, o hóspede aspirante a Escritor da família desconcertante e Cubana, a filha surgida inesperadamente, trocam-se mimos em forma de músicas e descobri Mercedes Sosa e Joaquin Sabino.


«E quando ela canatava para mim, pá?»

El Tiempo es Veloz
Te acuerdas de ayer
 era tan normal
la vida era vida
y el amor no era paz
y que extraño
ahora me siento diferente
pienso que todavia
quedan tantas cosas para dar


Que música e que grande descoberta!!! 
Mercedes Sosa foi uma cantora argentina (Julho 1935 - Outubro 2009) das mais famosas da América Latina com raízes na música folclórica argentina e que ganhou vários Grammy's Latinos. A música El Tiempo Es Veloz data de 1991


« Por causa disto, passei eu dias inteiros enfiado nas lojas de discos, com o coração a bater, até encontrar uma canção que lhe respondesse à letra. ao fim de horas e horas de buscas desaustinadas  - só quem já se apaixonou percebe o alvoroço -, encontrei esta letra espantosa que lhe ofereci (...). Escuta: chorou agarrada a mim durante mais de uma hora. »




Contigo
(...) Lo que yo quiero... es que mueras por mi

Y morirme contigo si te matas,
y matarme contigo si te mueres, ,
Porque el amor cuando no muere mata 
porque amores que matam nunca mueren.





Joaquin Sabino é um artista, cantor e compositor de pop rock espanhol, actualmente com 68 anos com grande sucesso na América de língua espanhola. A música Contigo foi lançada em 1996, inserida no albúm "Yo, mi, me, contigo" que vendeu cerca de 200 000 exemplares.


ARTIGOS RELACIONADOS

domingo, 26 de novembro de 2017

Os Filhos da Mãe de Rita Ferro


OS FILHOS DA MÃE
Rita Ferro
Contexto Editora, Novembro 2000
Romance
222 páginas
Sinopse
História hilariante de uma família numerosa, disfuncional, que partilha um espaço exíguo e pobre. Com um pai lunático, uma mulher doméstica achinelada, os filhos que vão desde o marialva ao homossexual, passando pela fedelha sobredotada à parelha de gémeos tão bonitos como estúpidos. Até à inesperada cubana, suposta filha  de uma anterior relação do pai com quatro filhos pequenos que vai ameaçar as mulheres e erotizar os homens da casa. A todas estas todas personagens ainda se junta um hóspede, aspirante a escritor.


« Só os livros que ele tinha justificariam uma anulação papal  em qualquer outro matrimónio ; as pilhas amontoavam-se na casa de banho, galgavam os parapeitos  e irrompiam das frestas  do cimento. Quando eram policiais, romances históricos ou poemas de guerrilha, géneros que ele considerava menores, serviam para sustentar as telhas do telhado sempre que as asnas começavam a  ceder.
De papéis, então, nem se fala; iam ganhando território e apoderavam-se das divisões como as razões de uma árvore gigantesca, dessas que descarnam as casas e lhes levantam o chão.
Havia-os dentro dos armários, nas sapateiras e caixas de ferramentas e, no único dia em que a casa pegou fogo, foi porque o Pai resolveu guardar "provisoriamente" uns recortes de jornais dentro do forno, "por precaução", não fosse acabar o papel higiénico e os Gémeos se lembrassem deles para se desenrascar numa emergência. »

« - Abandonei-me a mim, mas não o abandonei a ele, olha que história! - E estendendo-me a moldura, toda orgulhosa : - Já viste bem esta carinha? Nunca mais insisti, mas ficou-me aquela dúvida: como era possível amar-se tanto assim?".»

« Segundo a Cuba, podem gostar de um homem guapo o feo, alto ou baixo, inteligente ou limitado, falhado ou vencedor, pobre ou rico, bruto ou delicado; da única coisa que precisam é de protecção, um ou dois beijos diários na testa, demorados, e a convicção de que são únicas. De resto são generosas e cuidam de nós até à arrastadeira. 
Claro, não é assim tão simples; têm coisas parecidas com as nossas: podem estar bem e não lhes faltar nada  - ternura, dinheiro, compreensão - e de repente passar-lhes uma pela cabeça e olharem para outro gajo. 
Mas sabes quando, exactamente quando? Quando chamamos "insegurança" às dúvidas que lhes criamos, "desequilíbrio" à sua revolta, "dependência" à sua entrega absoluta e "carência" ao amor desmedido que a malta lhes exige, juntamente com vocação para o ferro e imaginação culinária.»


Os Filhos da Mãe fazem-nos rir muitas vezes com as situações hilariantes que vivem e se colocam no seio de uma família numerosa povoada de personalidades bem opostas e que vão dar-lhe uma diversidade estimulante e acabar por trazer perspectivas bem diferentes num ambiente de pobreza mas repleto de cultura pela mão do pai, um homem com a mania dos livros que vive a citar grandes autores como resposta a tudo e qualquer coisa e também da filha sobredotada que lê de tudo e adivinha os desfechos dos filmes
A história das peripécias do clã chega-nos em forma de relato pelo hóspede da família, o estudante de Literatura a quem chamam escritor que a está a contar a uma terceira pessoa, não identificada, incluindo a sua grande paixão por Cuba.
Uma família maluca com alguns segredos, aglutinada através da figura da mãe, uma mulher ignorante e inculta mas muito bondosa e abnegada que trata como filhos todos os que vão surgindo naquela casa, aceitando-os tal com são. Grata por um homem que lê ainda olhe para ela. A força conciliadora e talvez a fonte do amor que a todos une.
Escrito numa linguagem bem informal e divertida, num realismo urbano, este livro poderia muito bem dar um excelente guião para uma comédia de humor negro,
Rita Ferro é uma escritora portuguesa, filha e neta de figuras da literatura como o ensaísta António Quadros, o pai e António Ferro, o avô, um dos editores da revista Orpheu. No entanto foi durante dezenas de anos redatora de publicidade nas Selecções do Reader's Digest durante as quais assinou alguns trabalhos com pseudónimos e só aos 35 anos escreve o seu primeiro romance "Nó na Garganta" em 1990. Desde aí não mais parou a sua produção literária e conta já com 20 romances publicados, de destacar o que escreveu a duas mãos com a sua filha Marta Gautier "Desculpe Lá Mãe" (2002), os seus livros autobiográficos, "A menina é filha de quem?" (2011) e os Diários e a espécie de biografia que escreveu sobre o seu avô António Ferro "António Ferro - Um Homem por Amar" (2016). 

*** (Gostei)