segunda-feira, 17 de julho de 2017

Livro de Citações - Mil Sóis Resplandecentes


« Nos dias e semanas que se seguiram, Laila lutou freneticamente por gravar na memória o que acontecera a seguir. Tal como um amante de arte em fuga de um museu a arder, agarrava o que podia - um olhar, um sussurro, gemido - para o impedir de ser destruído, para o preservar, mas o tempo é o mais inexorável dos incêndios e, no final, ela não conseguiu salvar tudo.»


« Tinha passado esses anos num canto distante da sua mente. Um campo seco e estéril, para lá de desejos e lamentos, para lá de sonhos e desilusões. Ali, o futuro não interessava. E o passado continha apenas a sabedoria: o amor era um erro perigoso, e a sua cúmplice, a esperança, uma ilusão traiçoeira. E sempre que essas venenosas flores gémeas começavam a brotar na terra ressequida desse campo, Mariam arrancava-as e deitava-as fora antes de criarem raízes.»

« Talvez compreender apenas quando as coisas já não têm remédio seja o castigo justo para os que não tiveram coração. »

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Livro de Citações - O Sonhador


«As pessoas achavam que ele era difícil por ser tão calado. esse seu silêncio parecia incomodar as outras pesoas, bem como o facto de gostar de estar sozinho.»


«Peter achava que, se as pessoas passassem menos tempo juntas e a convencerem outras a juntarem-se-lhes, se se isolassem por uns instantes todos os dias a pensarem sobre quem eram ou poderiam ser, haveria mais felicidade no mundo e até talvez as guerras acabassem. »

sábado, 8 de julho de 2017

Berta a Grande de Cuca Canals




BERTA A GRANDE
de Cuca Canals
Editorial Teorema, Abril 1997
Romance /Young Adult
200 páginas
Sinopse
Berta Quintana acabara de fazer dezasseis anos, tinha um metro e noventa e era o ser humano mais alto de Navidad e possivelmente de toda a região. Segundo dizia uma antiga lenda de Navidad, quando um bebé nascia sob o arco-íris, este teria um dom muito especial. E Berta tem a capacidade de controlar o estado do tempo mediante as suas emoções, mas desconhece tal dom: se chora, chove, quando arde de desejo pelo amado, faz um calor enorme.
Uma crónica passional, irónica, meteorológica e muito pouco lógica que contém: uma grande história de amor, dois jovens enamorados, dois povos rivais, cartas de amor, um dilúvio, uma guerra, sangue derramado,  um destino fatal, um carteiro, um milagre, dois rios de cores, uma promessa, ironia e paixão, muita paixão.

« E também cresceu exageradamente o amor que Juan Quintana sentia pela filha, e para a consolar dizia-lhe: nem sabes a sorte que tens por ser tão alta, é que nem te dás conta, estás mais perto do céu que todos nós.. »
« A Berta Quintana doía-lhe o coração, doía-lhe a distância que a separava do seu amado, doía-lhe a cabeça de muito pensar nele; estava doente de amor. »
« (...) e uniram-se num abraço maravilhoso, ninguém no mundo poderia deter o seu amor. E a partir de então o amor entre os dois amantes cresceu ainda mais, se possível; os amores impossíveis são ainda mais belo. »

Berta a Grande leva-nos a viajar até uma aldeia remota de Espanha cheia de personagens caricatas e caricaturadas que nos divertem e fazem rir, desde a faladora Margarida Cifuentes, a quem todos passam a vida a desejar que morra por já não a poderem ouvir mais ao cego que anda  sempre de braguilha aberta e apalpa as senhoras, transportando-nos para um cenário fílmico, completado com ilustrações bizarras.
Neste cenário de filme meio nonsense, Berta conhece o carteiro Jonas e vai viver uma história de amor ao estilo Romeu e Julieta, trespassada pelas rivalidade de duas aldeias vizinhas desde sempre inimigas. Um amor impossível mas imparável que vai arrastar com ele a luta entre as duas povoações pela defesa dos seus habitantes mas também pela importância e domínio  na região.
Uma história carregada de amor e ternura entre um pai, Juan Quintana com a sua única filha, diferente das outras e claro entre os apaixonados, mas também com muito humor e ironia.
Um bom livro para entreter e descomprimir de leituras mais pesadas.

Cuca Canals é uma artista espanhola, escritora, pintora e guionista de cinema, entre eles os filmes do relizador espanhol Bigas Luna como "Jámon, Jámon - Desejos Inconscientes" (1992) e "Huevos de Oro" (1993) ambos com Javier Bardem.
Esta novela foi o seu primeiro livro e tornou-se num exito de crítica e público tendo sido traduzida para várias línguas. Seguiram-se "A Hescritora" de 2001 e "Chora Alegria" de 2003 pela Editorial Teorema.

http://www.cucacanals.com/

** (Razoável)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

E a Feira do Livro de Lisboa 2017 foi assim...

Pois é a Feira do Livro de Lisboa terminou já faz uma semana e eu ainda não tinha feito o balanço da minha passagem por lá. Para mim a Feira do Livro é um ritual anual que nunca perco desde que me lembro, tem de ser, mesmo com todos os livros que ainda tenho para ler e a que acrescento sempre mais três ou quatro (isto em contenção). Gosto do ambiente que se vive e sente, mesmo andando por lá muitas vezes sozinha, respira-se literatura, paixão pelos livros. Ah....e nunca pode faltar, impreterivelmente, a fartura para acompanhar o passeio.

Fui apenas duas vezes, para resistir às tentações e não dar muito cabo da carteira, mas mesmo assim consegui comprar 8 livros, mais do que o planeado, claro está. Antes de qualquer coisa escrutinei a lista de livros do dia, assinalei aqueles que me interessavam e comparei com os preços em 2ª mão, o que já deu para descartar alguns.

Com o pretexto do encontro do Clube dos Clássicos Vivos do Goodreads fui pela primeira vez à Feira e como andei à conversa e mais em modo de passeio limitei-me a três livrinhos com o desconto do Livro do Dia já previamente escolhidos.
- As pessoas felizes lêem e bebem café (pelo título que já há muito me seduzia)
- Diz-me Quem Sou de Julia Navarro (pelo carácter histórico do romance e também pela autora)
- Noturno Chileno de Roberto Bolaño (pela curiosidade em conhecer o autor)



Na segunda ida a intenção era explorar os alfarrabistas de que gosto sempre muito de vasculhar, o stand de promoções da Relógio D'àgua Editores com livros desde 3€ e aproveitar a Hora H.
Nos alfarrabistas encontrei um livro da Isabel Allende "De Amor e de Sombra" que li há vários anos, de que gostei muito, mas que era emprestado e eu queria relê-lo e tê-lo na minha estante.
Na Relógio D'Água a escolha era muita assim como foi a indecisão mas acabei por comprar só dois, mais um de Carson McCullers, "Reflexos nuns Olhos de Oiro", cuja escrita me intriga e um de um escritor portugûes que já tinha há muito na minha wishlist "Album de Reratos" de Rui Nunes.



Na Hora H e já com o plafond reduzido fui só à editora Leya comprar o livro específico que tinha em mente, mas como as filas eram tão grandes, logo as 22 horas, pensei... "Não vou ficar tanto tempo na fila só para levar um livro... vou escolher outro" e assim foi.




- Os Interessantes (pela sinopse que me interessou e cativou bastante)
- Índice Médio de Felicidade (por influência/sugestão de uma blogger, o autor e o título)

sábado, 17 de junho de 2017

Boneca de Luxo de Truman Capote - OPINIÃO


No âmbito do Clube dos Clássicos Vivos do Goodreads, o clássico para Maio e Junho foi "A Boneca de Luxo" de Truman Capote que se encontra na lista dos 1001 Livros para Ler Antes de Morrer.

Um clássico da literatura americana contemporânea, escrito em 1951 que retrata um pouco da sociedade nova iorquina dos anos 40 cuja história já não escandaliza, mas ainda assim continua actual em todos os seus contornos e a ter muito que dizer e encantar.



 BONECA DE LUXO
 (Breakfast at Tiffany´s)
 de Truman Capote
    Editorial Notícias, 1998
Novela (Clássico)
    151 páginas    
«Eu não quero ter nada até saber que encontrei um sítio onde eu e as coisas nos completamos. (...) Como o Tiffany's. (...) Descobri que o que me faz melhor é apanhar um táxi e ir até ao Tiffany's. Fico logo mais calma e com a serenidade e o ar digno que aquilo tem. Nao há nada de realmente terrível que nos possa acontecer ali, com aqueles homens de fatos janotas, e o cheiro fantástico da prata e das carteiras de corcodilo. se eu encontrasse um sítio da vida real que me fizesse sentir como o Tiffany's...»
Holy Golighly é a personagem central que toma conta por completo a narrativa. Tem 19 anos e é uma espécie de acompanhante de luxo que vive a vida sem amarras ou comprometimentos que não sejam fazer o que lhe apetece e lhe dá prazer. Toca à porta dos vizinhos tarde da noite quando chega a casa porque perdeu a chave da entrada, rejeita uma audição para um filme de Cecil B. DeMille porque tem de se querer para fazermos bem e ela não quer e rouba só para manter a mão treinada.

É esta a Holy, um animal selvagem, como ela própria se define, a quem não se pode confiar o coração e quanto mais se dá mais forte fica, que não se entrega verdadeiramente a ninguém, mas que vai tocando todos com quem se vai cruzando. 

A sua história é nos contada pelo seu vizinho, de quem nunca se sabe o nome,  um escritor fracassado a quem ela dá alguma confiança por lhe fazer lembrar o irmão Fred e que acaba por se tornar o seu único verdadeiro amigo. Através desta relação vamos conhecendo uma outra Holy, para além da futilidade e da aparente imoralidade, que nos leva a perceber um pouco melhor a sua história de vida.

Um livro cheio de mistério no sentido do não dito, do que fica por dizer e se lê nas entrelinhas que acaba por nos prender na expectativa de descobrir sempre um pouco mais, principalmente, sobre Holy.  Com uma escrita fluída, ritmada e sem grandes rodeios e subterfúgios torna-o também muito fácil de se ler.

Gostei da densidade da personagem, de ela ter várias camadas e de ser mais do que parece. Gostei do não julgamento do autor da sua conduta antes dar-nos a conhecer o seu background para a tentarmos compreender.

*** (Gostei)

Truman Capote (1924-1984) é um escritor americano que se aventurou por inúmeros géneros desde os contos, às novelas, peças de teatro e mesmo não-ficção.  Começou  a escrever contos aos 11 anos, aos 18 anos publicava Miriam que foi reconhecido com o prémio O. Henry na categoria de Melhor Primeira-Obra. E a sua primeira novela publicada em 1948, Other Voices, Other Rooms também teve bastante reconhecimento com 9 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times.
A seguir a Boneca de Luxo escreve a sua obra prima A Sangue Frio, um texto de não ficção sobre o crime de uma família ocorrido no Kansas publicada em 1966 foi um sucesso mundial e trouxe-lhe grandes elogios da comunidade literária. No entanto a seguir ao seu grande sucesso publicou muito raramente e nada com importância.
Foi vizinho e melhor amigo da escritora Harper Lee durante a sua juventude no Alabama



domingo, 11 de junho de 2017

TAG Feira do Livro

Esta é a primeira TAG a que vou responder e estou cheia de entusiasmo, desde já agradeço à Daniela do blog Mente Literária por me ter tagado. Ela é original e foi criada pela Cláudia do A Mulher Que Ama Livros com nove itens relacionado com a Feira do Livro para marcar o arranque do maior evento de livros em Portugal que faz as delícias de qualquer apaixonado e viciado em livros.




LISBOA - Indica Um Livro Que Se Passe em Lisboa
História do Cerco de Lisboa de José Saramago, um livro que já comecei a ler e em que a originalidade da história, a descrição do cerco aliada à da revisão do livro que o vai contar me entusiasmou, mas a escrita peculiar de Saramago que requer uma atenção redobrada e quase uma constante releitura fez-me abandoná-lo... mas não passa deste ano.

SOL- Indica Um Livro Para Ver No Verão
O Velho e o Mar de Ernest Hemingway porque tem mar e pescadores que associo ao tempo de sol e às férias de Verão na praia. Vou lê-lo nos próximos tempos.

FARTURAS - Indica Um Livro Doce
Berta a Grande (Berta La Larga) de Cuca Canals, um livro doce, repleto de ternura e também muito divertido que quase em jeito de conto de fadas relata a história de Berta, uma menina de dezasseis anos que é a mais alta da sua região e cujas emoções e humor controlam o tempo da povoação onde vive. Um livro cheio de personagens caricatas e ternurentas com ilustrações a acompanhar.



EVENTOS - Qual O Autor Que Devia Ir À Feira do Livro
A maior parte dos que eu gostaria de ver pela Feira já não se encontra entre nós... são todos muito antigos. Dos contemporâneos talvez o Afonso Cruz e Valter Hugo Mãe, ah e o José Tolentino de Mendonça num registo mais religioso.

EDITORA - Elege As Tuas Três Editoras Preferidas
A Editorial Presença que é a editora de que talvez tenha mais livros e de cujo catálogo de que gosto bastante pela diversidade, tem desde os clássicos a todos os tipos de romances, passando pela história e também a religião que são temas que me interessam.
A Relógio D'Água Editores pelos seus títulos e edições
A D. Quixote pelos autores que publica que contemplam muitos dos meus preferidos e também muitos dos mais importantes escritores contemporâneos de língua portuguesa

HORA H - Indica Um Livro Muito Bom Com Mais de 18 Meses
Materna Doçura de Possidónio Cachapa que li no final do ano passado e gostei muito pelo inusitado da história e por tudo o que está nas suas entrelinhas

AUTORES - Já Pedis-te Autógrafos? Mostra
Não sou nada de pedir autógrafos, pela vergonha e pelas filas intermináveis que muitas vezes existem. Mas acho que tenho uns quantos nos livros infantis da Alice Vieira que eu adorava e devorava e a quem, encorajada pela minha mãe, pedia autógrafo quando a encontrava na Feira do Livro. No entanto tenho um livro com autografo mas que não foi pedido mas sim ganho e que resultou de um passatempo em que o autor me enviou o livro autografado.



LIVROS - Mostra Dois Livros Que Compraste no Ano Anterior e Ainda Não Leste
A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak que já andava atrás desde que vi o filme no cinema mas só comprei o ano passado em livro do dia.
Agrião de Clara Ferreira Alves que já tinha na minha wishlist há uma série de tempo (confesso que já não me lembro muito bem porquê) e comprei nas promoções da Relógio D'Água


LISTA DE DESEJOS - Revela Dois Livros Que Pretendes Comprar Este Ano
Depois de escrutinar a lista de livros do dia, escolhi, Diz-me Quem Sou de Julia Navarro e  Noturno Chileno de Roberto Bolaño que descobri há pouco tempo e me deixaram curiosa.

 


terça-feira, 6 de junho de 2017

Novidade desejada - Livrarias


Já não é uma novidade propriamente fresquinha, mas não podia deixar de a partilhar por aqui!
Para uma bibliómana, não há temática tão entusiasmante, para além dos livros que abordam o mundo dos próprios livros ou contam histórias com os mesmos, como a das livrarias, enquanto sítios repletos de histórias e cultura envoltos numa aura de quase magia. O seu ambiente e muitas vezes a história que carregam.



Com este livro fazemos não só uma viagem ao longo do mundo por algumas das livrarias mais emblemáticas, conhecendo a sua história, mas também ficamos a saber mais sobre o seu desenvolvimento, significado e alcance. Porque mais do que um guia de livrarias este livro é um ensaio que investiga, analisa e tenta compreender a lógica e importância das livrarias. Dá-nos uma possível cronologia do seu desenvolvimento e da sua representação artística  e de como muitas delas se transformaram em mitos culturais, centros de tertúlia e de resistência política.

E esta viagem tem passagem obrigatória por Portugal e por duas das suas mais famosas livrarias, a Lello no Porto e a Bertrand em Lisboa, aquela que é a livraria mais antiga do mundo.

Para o autor, na actual era virtual em que se passa a maior parte do tempo ao ecrã e ao computador, a livraria pode ser o local privilegiado para nos religar com o objecto e com o material ao ser um espaço com uma dimensão ritual acentuada.

Jorge Carrión é um espanhol, coleccionador de livrarias que lecciona literatura contemporânea e escrita criativa na Universidade Pompeu Fabra em Barcelona. Escreve também regularmente para jornais espanhóis e latino-americanos, como El País, La Vanguardia e Arcadia e é autor de numerosos livros que vão desde a novela ao ensaio e à literatura de viagens. Uma das primeiras coisas que faz quando chega a uma cidade é descobrir as suas livrarias